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Ideologia e apelos de marketing usados pela própria indústria desafiam a credibilidade da proteína animal

Depois do advento da operação Carne de Fraca, o setor de proteína animal tem mais um desafio na tentativa de recuperar a imagem da carne brasileira entre os consumidores: brecar as mensagens ideológicas sem embasamento técnico. A secretaria geral do Conselho Internacional de Avicultura, Marilia Rangel, destacou durante o Global Agribusiness Forum que a comunicação de informações técnicas com embasamento científico é praticamente nula entre os consumidores.

 

Como exemplo citou a produção de frangos orgânicos na Holanda, que produz mais gases de efeito estufa do que a criação comercial. Ou a geração de semivegetarianos, liderada por celebridades e formada por mais de 20 milhões de pessoas ao redor do mundo que já adotaram algum tipo de restrição à proteína animal durante a semana. “As pessoas estão consumindo essas informações sem nenhum embasamento técnico”, alertou Marilia.

Ela ainda criticou os apelos de marketing usados pela própria indústria avícola. Mensagens como “sem uso de hormônio, “criado livre de gaiolas”, “abate humanitário” ou “sem antibiótico”, segundo ela, reduzem a confiança do consumidor, ressaltam atributos negativos e não trazem ganhos econômicos para o setor.

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, também manifestou preocupação com a imagem da proteína animal e destacou o poder negativo que as notícias sobre a carne brasileira ganha no mercado internacional. “ Nos últimos 40 anos, o Brasil exportou mais de 60 milhões de toneladas de carne de frango sem nenhum problema de saúde aos seus consumidores”, informou Turra reforçando a credibilidade e qualidade da proteína brasileira.

O reflexo desta imagem negativa foi relatado pelo consultor para o desenvolvimento sustentável entre Brasil e Alemanha, Bernd Mayer, que informou que a carne bovina brasileira é comercializada na Alemanha sem identificação por conta da baixa credibilidade produto. “A Argentina é a segunda maior exportadora de carne bovina para Alemanha e os valores da carne são bem superiores se comparados com a carne brasileira”, informa Mayer.